Peças diferenciadas x Silks de coqueiros e onça, será praga da mesmice?

18/07/2009

foto: flickr galeria de gisela guimaraes

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Meus textos serão sempre 10 pensamentos sobre um determinado assunto. Vou expor de forma divertida e me basearei em cima de pontos de vista pessoal. 
 
Resolvi inaugurar a coluna falando de um assunto que me incomoda muito nesse universo da moda – A MESMICE! No final das contas a gente pode encontrar alguns culpados deste fenômeno, os empresários MEDROSOS seus gestores nada AUDACIOSOS. Geralmente o estilista é um cara “tolhido” nestas situações. Engraçado é perceber que ambos os adjetivos que escolhi para cada um deles termine em “S.O.S”.


A mesmice é o porto seguro localizado a beira de um oceano prestes a receber um Tsunami. Parece tudo calmo, mas quando acontece a queda nos resultados é um corre-corre que pode acabar muito mal. Geralmente resultam naquelas demissões em massa, que costumo chamar de "BATEAU MOUCHE".
 
A mesmice pode ser fatal para uma marca!
 
Ai vão meus pensamentos a respeito:

1) Se coqueiro cobrasse direito de imagem, tem muita marca (inclusive marca “de bacana”) que iria morrer pobre pagando comissão para os coqueirinhos e palmeirinhas da mata costeira. Não tem outra espécie pra explorar não? Daria pelo menos para retribuir? Patrocinem um “RE-COQUEIRAMENTO” das praias cariocas! Ia ficar demais, não acham?
 
2) Outro dia (isso deve ter uns 15 dias) escutei uma previsão bombástica de uma estilista do mercado: “Acho que a Visco lycra vai voltar...” Minha filha, se você fosse minha funcionária mandava você passear no D. P agora mesmo! Nunca mais fala uma desgraça dessas, nem brincando. Visco lycra já morreu e esqueceram de enterrar!
 
3) O que acontece com as cartelas de fios de tricot no Brasil? Alguém pode me explicar? Esse tal de seridó é praticamente uma maldição!
 
4) Camiseterias que estampam qualquer coisa numa camiseta, usando sempre a mesma técnica de silk (geralmente um plastissol ou mix), a mesma malha, a mesma modelagem (em tudo) e usando as frases mais idiotas possíveis, (que até já serviram de inspiração até para as t-shirts do PÂNICO NA TV!).


 5) O próximo estilista que me der uma foto ou "PILOTO ORIGINAL"  de bermuda cargo de sarja de 14Oz da ABERCROMBIE ou da AM. EAGLE pra "DESENVOLVER" na China, eu juro que vou fingir que não entendi. Cargo até tem sua versatilidade, mas dava pra inovar nos tecidos pelo menos? Me deixa lembrar a vocês  - "Rio, 40ºC...", Que tal o linho, a tricoline, o Yoko da Renaux..;
 
6) Me recuso a falar sobre estampa de onça... Que tal uma perereca (tem altas), uma versão da planta “comigo-ninguém-pode" (eu disse pode com "P"), um peixe tropical, até mesmo a jaguatirica (não é onça, mas é 100% nacional). Eu aceito! Mas a mesmice de sempre é brabo...
 
7) Aplique, corte a fio, silk com relevos (todos são o "Ó") Flocado, Foil, Spray, Tachinhas adesivas e rebites são alguns dos processos que também já passaram da conta. O pior é que tem sempre um louco que faz TODOS estes processos em uma única peça e ainda manda ”... É UMA PEÇA DIFERENCIADA”.
 
8) Me recuso também a falar sobre este termo supracitado (o ultimo do parágrafo acima e que começa com a letra "D"), que virou uma espécie de coringa lingüístico na boca dos estilistas.
 
9) Alguém gravou na mente um tema de coleção que conseguiu ser contado pelas peças em si, texturas dos materiais escolhidos, vitrines condizentes, ambientação do ponto de venda, modelagens, recortes, acessórios, e cores ,mas não pelas estampas das t - shirts da marca que vem com textos EM INGLÊS?? Está lançado o desafio!
 
10) A famosa viagem de pesquisa. Sugiro aqui um prêmio: Quem voltar de NY com mais de 800 peças tiradas nas cabines (não pode ser de vitrine!), ganha uma passagem para... NY! E assim você tem todas as armas pra continuar com a PRAGA DA MESMICE!!!

foto: flickr galeria de gisela guimaraes

Matéria: Mauro Meirelles.

Postado por Mauro Meirelles | Categoria: Moda | Tags: peças, diferenciadas

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Comentários

  1. ymara ribeiro - indaiatuba/sp, sp
    30/07/2009

    A quantidade de "estilistas" tb...por isto ta essa porcaria...sabe a Bienal???entao...veja das "grandes obras premiadas" o que realmente se salva.. Tudo que sobra...... "farta"!

  2. Luciano - Rio de Jnaieo , RJ
    31/07/2009

    Mauro , concordo com tudo que vc falou. Mas pra quem começa uma marca acho interessante que continue no que vc chama de "mesmice" para alavancar um pouco as vendas de inicio , pois é felizmente ou infelizmente o que vende para população em geral.Acho que isso depende muito do publico alvo que a pessoa quer atingir. Para um começo acho q pode ser uma solução ja q o risco é menor e poder divulgar a marca conseguindo mais recursos financeiros e a partir daí sim começar a pensar em peças "diferenciadas realmente". Tudo depende mt tambem do conceito de cada marca.Apesar de concordar , acho q cada um pensa de um jeito e seria interessante pensarmos do ponto de vista de cada um e analisar qual plano de ataque , seu planejamento e sua meta.Falo isso pq criei uma marca a um tempo atrás nessa mesmice com mt pouco investimento e que me rendeu bastante lucro para que eu pudesse extender meu negocio e abrir minha primeira loja.Lembro que comecei vendendo de mão em mão , pois meus recursos financeiros eram baixissimos.Mas hj em dia posso me dar ao luxo de fazer peças diferenciadas junto as peças da " mesmice ", pois assim não corro mt risco da não aceitação do publico que está acostumado com isso e sem duvida é o q ainda vende.Em geral , as pessoas gostam da marca e veem uma estampa linda por ela mesmo sendo um coqueiro. Veja bem , em nenhum momento estou querendo falar que vc nao esta certo , estou apenas mostrando o meu ponto de vista de quem começou com a mesmice.Mas acho que foi excelente a matéria e super válido.É sempre bom ler textos assim ,pois me fazem crescer e a todos que se interessam realmente por moda e marca. Agradeço por poder comentar e o parabenizo pelas dicas. Pode ter certeza que sempre estou por aqui lendo os textos. Grande abraço Luciano

  3. Mauro Meirelles - colunista - rio de janeiro, rj
    01/08/2009

    Luciano, é um prazer receber seu comentário. Sinta-se em casa! É exatamente esse o grande intuito da coluna - a interatividade, a troca de idéias. Sobre o assunto "MESMICE" acho que uma dose de bom-senso é o comportamento ideal nesse caso. É justamente sobre essa sensibilidade de quando deixar de repetir tal produto na sua prateleira que estou falando. Conquistar básicos, itens de repetição, é fantástico pra quem vende, pra quem produz, para quem busca crescer na área do e-commerce e por aí vai. Por isso mesmo que não recrimino a estampa de bichos em si, recrimino a estampa da coitada da onça. Não sou contra t shirt com uma árvore silkada, sou contra o uso desenfreado do coqueiro. Se a fórmula é vendedora, não há nada de mal nisso... pelo contrário, é sinônimo de dinheiro no bolso, afinal moda é business. Um exemplo positivo são os modelos de jeans da Levi's: 501, 505, 511... as lavagens, acabamentos e cores se renovam, mas o shape não muda. Pense também nos tênis Vans: tem modelo de 1966 que vende até hoje, mas agora tem a versão estampada, com couro furadinho, verniz, assinado por alguma banda de rock. A graça é manter o produto "desejável", como foi a onça e o coqueiro quando surgiram pela primeira vez e todo mundo quis comprar. Não devemos é simplesmente repeti-lo à exaustão... matando o desejo do consumidor.. Certa vez ouvi de um grande empresário da moda carioca a seguinte frase: "na moda, time que está ganhando a gente mexe sim." É uma boa definição sobre esse tema, acredito eu. UM ABRAÇÃO e continue nos visitando!! MM.

  4. Mauro Meirelles - colunista - rio de janeiro, rj
    01/08/2009

    Ymara, se der, mande um llink dentro do seu texto com as imagens das obras premiadas da Bienal. O debate é super bem vindo, assim como sua visita. UM ABRAÇO!! MM.

  5. Tânia Neiva - Fortaleza, CE
    23/04/2010

    Concordo plenamente. Tem gente por aí dizendo em matérias na internet que pócopiá. Tudo bem...quem não tem talento o jeito écopiámermo! A boa criação não depende de muito capital nem de alta tecnologia, depende de sensibilidade artística, coisa que muito estilista por aí não tem. Estilista tem que estudar história, tem que desenhar, tem que ler, tem que observar. Tudo bem, se a pessoa não tem tempo pra fazer nada disso e é escrava de uma empresa, tendo que apresentar trilhões de propostas de modelos por semana pra não perder o emprego...é a vida. Que chato pra eles. Mas nem tudo é tão ruim, eu até que me divirto vendo os clones nas vitrines do mundo. Parabéns pelo BLOG!!!