Nem tudo que reluz é ouro!

22/08/2009

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 Não  é por se tratar de um fenômeno, que o Second Life pode ser boa mídia para todas as empresas. Bons profissionais de mídia sabem que não é todo veículo que é válido. Tudo depende de como e quem se quer atingir. Embarcar na febre da novidade pode ser não só um mau negócio como um grande prejuízo.

     Lançado em 2003 o Second Life já não é nenhuma novidade. O mundo paralelo chamado por seus criadores de 'metaverso' possibilita interações de todo tipo, desde simples conversas até compras e empregos. Em poucos anos ganhou a mídia mundial com números astronômicos de novos usuários. As empresas não perderam tempo e, movidos por seus setores publicitários, se atiraram ao mundo virtual e abriram estandes e quiosques, anunciando em outdoors e relógios de rua por onde quer que seu público alvo interaja. Mas seria a publicidade virtual uma ação válida?

     Empresas internacionais como a IBM, Dell e BBC já estão instaladas neste mundo paralelo e os grupos brasileiros como IG, TAM e até PSDB também. Instituições de ensino como as paulistas Anhembi-Anhangüera e Mackenzie têm seu espaço nesta onda, assim como dezenas de instituições culturais e grupos de comunicação. Mas o que uma empresa pode fazer no virtual para lucrar no real?

     A princípio essas empresas alegam a oportunidade de mostrar que suas marcas se ligam às novas tendências e possuem mais um canal de comunicação com o consumidor. Mas uma pessoa que entra em uma loja, olha tudo, sai e nunca mais volta pode ser chamada de consumidor? Esse é o ponto central da grande dúvida que paira sobre o investimento publicitário nesta nova mídia.

     Devido à complexidade do programa, segundo dados da Linden Lab (escritório que administra o 'metaverso'), 90% de todos os cadastrados entraram poucas vezes e nunca mais retornaram. Em outras palavras, os números que causaram frissom na mídia nos últimos anos se mostram bem relativos. Outras limitações como o número de pessoas em um mesmo ambiente, a necessidade de um computador e internet potente e a demora para carregar os cenários pesam bastante no que diz respeito à fidelização do usuário. Os tais estandes e quiosques estão entregues às moscas virtuais.

     Uma empresa deve pesar bastante o retorno de seus investimentos neste mundo paralelo e avaliar sua real necessidade. Até onde uma empresa aérea como a TAM terá retorno anunciando em um mundo onde todos voam e se teleportam? A Sundown já investiu por volta de cem milhões de reais no cyber-espaço e oferece ‘test-drives virtuais’ de suas motos. Ainda que se trate de visibilidade, estamos falando de pouquíssimas pessoas se compararmos às mídias tradicionais. Por outro lado, eventos bem planejados e com a divulgação certa são bem vindos no mundo virtual. É possível dar palestras, fazer shows e até desfiles de moda para um público a baixo custo se oferecido um diferencial.

     O futuro deste ‘metaverso’ é polêmico, talvez seja como o disco de vinil, que todos juravam que ia desaparecer e sobreviveu graças às mesmas particularidades que cantaram seu destino incerto. A dica para quem quer investir é a mesma para qualquer coisa da vida: avalie bem o custo/benefício.

 

Postado por Bernardo Moraes | Categoria: Arte | Tags: second, life

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