Novo Milênio, Nova Moda !
14/10/2009

Quando Christian Dior prensentou no dia 12 de Fevereiro de 1947 sua primeira coleção de Alta Costura, transformando por completo o Pós Guerra com o seu "New Look", ele sepultou de vez a severidade e a rigidez da 2ª Guerra Mundial. Entre Organzas de Seda e lacinhos, vimos também a introdução de novas maneiras de se pensar na moda como indústria.
A escritora Charlotte Seeling, autora do livro: "Moda o Século dos Estilistas" aponta estratégias utilizadas por Christian Dior para manter suas criações no foco das atenções: (Dior) Introduziu uma forma completamente nova de apresentação na Alta Costura, que não tinha nada a ver com o espetáculo calmo do tempo anterior à guerra. (...)
A idéia de marketing de Dior consistia em lançar uma nova tendência de seis em seis meses. Foi o primeiro costureiro a mudar, de uma coleção para a seguinte, o comprimento das saias ou, indutivamente, alterava a sua linha de forma radical. Preferia que sua linha passasse de moda rapidamente, assegurando assim os títulos de imprensa e animando as vendas. (Seeling, 2007, pj.253-257).Esses modelos se tornaram padrões, e são aplicados até hoje.
De tempos em tempos, a imprensa coroa um estilista, apontado como o futuro guru salvador da indústria da moda. Com a mesma rapidez que este é glorificado, ele também pode ser esquecido, e tão logo outro, será vangloriado em seu lugar.
De maneira ingenuamente positivista, podemos observar a falta de um monopólio no estilo. Se existe uma urgência em encontrar o novo, vários criadores interessantes tem a oportunidade de apresentar diferentes maneiras de ver a beleza. Por que então, não temos nada novo? Por que quando alguém quebra barreiras e apresenta uma nova maneira de ver o mundo, é rapidamente repelido pela pela indústria - mesmo tendo os principais editores de moda aos seus pés? ( Não, ninguém alcançou a importância histórica de Christian Dior -ainda).
Parece que os criadores de moda (os que alcançaram a estabilibade no mercado) preferem continuar pensando repetidamente em novas maneiras de apresentar releituras de décadas passadas a arriscar seu confortável estilo de vida por uma perigosa tentativa de evolução no estilo.
A indústria da moda, assim como outras expressões criativas, possui um ciclo natural de vinte anos. Passadas duas décadas, o inconsciente coletivo começa a se comportar de maneira nostálgica em relação ao tempo em que começamos a assimilar e formular opiniões sobre a vida.
Com Christian Dior não foi diferente. Seu "novo estilo contra-revolucionário" não passava de uma releitura romântica do período da Belle Époque, o último estilo antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial. Dior desejou (e materializou) um retorno a um mundo de prosperidade, otimismo, opulência e prazeres sem remorsos.
Mas não foi só isso. O estilista obedeceu a esse anseio cíclico, mas também como contribuiu para a evolução para os negócios da moda, como vimos nos primeiros parágrafos.
Temos muitas mentes talentosas em formação, e a informação está cada vez mais acessível. Infinitos estudos, reconstruções e desconstruções de padrões de beleza e comportamento são aprensentados a cada seis meses, o que nos falta é justamente o novo, a ruptura.
A evolução ocorre quando estudamos modelos pré-estabelecidos, seguindo o seu melhor e solucionando suas falhas.
Fontes de inspiração para a adoção de novas soluções não faltam, dentre elas: a internet como principal meio de comunicação; a mudança na ordem mundial com a ascenção dos BRICs; pensar em meios inteligentes de amortecer danos causados pelas mudanças climáticas, etc... Ou seja: obedecer aos desejos de sua época -mesclando estéticas anteriores para criar uma nova-, ser inteligente, destemido e criativo nos negócios -tendo base para justificar a ousadia de suas novas idéias para investidores. Esse é o caminho para a construção do estilo de uma época.
Mas duas perguntas permanecem sem resposta:
Quem será o decodificador e qual será a real estética do novo milênio?
Postado por Clarisse Guida | Categoria: Moda | Tags: novo, milenio, nova, moda

























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15/10/2009
Querida Clarisse, Que bom ver um texto seu aqui. Adorei os questionamentos e para pôr mais fogo nesse fogueira eu sugiro pensar que o que mudou não foi a falta de "criatividade" ou coragem dos criadores de hoje. Temos diversos desbavradores que vão de Balenciaga à Ronaldo Fraga. Mas, diferente dos anos 50 de Dior que contava com poucos spotlights, todos voltados para ele e com consumidoras muito inseguras em relação à moda, hoje os consumidores e a mídia que estão pulverizados em pequenos nichos e não engolem qualquer "novo" shape de forma quase ditatorial como era antigamente. Não acha? bjs