Instituto da Criança - Uma Visão de Empreendedorismo Social

21/08/2010

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Defender uma idéia sobre algo que diz respeito a uma ação própria é uma tarefa delicada e difícil, pois corremos o risco de transmitir uma impressão equivocada de que estamos valorizando demasiadamente o que fazemos, em detrimento das ações de tantas outras instituições que, certamente, exercem atividades também importantes para os que dela se beneficiam.
 
Por esse motivo, vamos tentar nos apresentar pelo modo com que entendemos sermos enxergados por aqueles que do IC se aproximam.
 
Nesses 15 anos, desde que iniciamos nosso trabalho no terceiro setor, observamos sinais que evidenciam a ocorrência de uma mudança na consciência de um grande número de pessoas, entre elas, inclusive, muitas ainda bem jovens. Essa alteração indica haver hoje um sentido de que é preciso reagir colocando em prática ações que dêem efeito às palavras de indignação.
 
Frequentemente escutamos relatos de pessoas que fazem parte da rede social do IC, que revelam um desejo íntimo de colaborar de alguma forma auxiliando quem não possui condições de encontrar, sem apoio ou orientação, oportunidades para desenvolver a sua própria vida.
 
Essas pessoas sentem um impulso de fazer algum movimento nesse sentido, no entanto, desistem logo em seguida quando avaliam que esse envolvimento proporcionará um comprometimento traduzido pela responsabilidade de assumir um novo compromisso sem que se tenha a certeza de que a escolha que fará será segura ou se proporcionará um resultado concreto, conforme o esperado. Na maioria das vezes, acabam não levando adiante a intenção, impedindo que se realizem mudanças que poderiam representar muito para os que seriam assistidos. 
 
Por acreditarmos nessa força, que existe, mas não tinha orientação, moldamos um modo de atuar como empreendedores sociais. Numa primeira fase, de modo informal, contudo, quando os resultados começaram a surgir e se tornaram expressivos, demos uma forma jurídica ao movimento e também uma identidade. Surgia, assim, o Instituto da Criança
 
Nesses anos, trabalhamos de forma incessante no objetivo comum aos que dele participam para 'fazer diferença, transformar vidas'.
 
Classificamo-nos como empreendedores sociais. Para traduzir de uma forma mais clara, fazemos uma analogia com os empreendedores imobiliários. Estes últimos, quando procuram locais para seus investimentos, identificam um imóvel com potencial de ser transformado, por exemplo, em um edifício, negociam a aquisição, avaliam as condições e características permitidas, obtém as licenças, contratam projetista, arquiteto, empreiteiro, corretor, parceiros bancários, enfim, tudo aquilo que viabilize a execução do projeto que é um empreendimento imobiliário.
 
De maneira análoga a esse conceito, nós do IC identificamos uma obra social a ser apoiada, elaboramos um diagnóstico inicial, identificamos as lacunas, construímos um projeto de execução e buscamos recursos financeiros e humanos para executar e colocar em prática. Posteriormente, promovemos um acompanhamento mensal, seguido de avaliação anual. Concluímos, assim, o papel de empreendedores sociais.
 
Essas ações nos permitem compreender e entender a grandeza que o ser humano expressa nos gestos de solidariedade e amor ao próximo pela alegria de se poder fazer algo por outro alguém que não teve a mesma oportunidade. Entendemos que se podemos fazer é porque não precisamos que se faça o mesmo por nós.
 
Afinal, a necessidade que julgamos ter, se tem saúde, instrução, família, trabalho, educação, entre outras condições, são normalmente bem mais simples de se alcançar.
 
O Instituto da Criança é uma organização que exercita o conceito do Empreendedorismo Social. Propõe-se a responder à questão recorrente sobre o que cada um pode fazer para contribuir com processos de transformação social. Desta forma, o IC se legitima tanto como uma força quanto como um instrumento de transformação.
 
Atualmente, o Instituto da Criança apóia sete instituições no Rio de Janeiro e duas em São Paulo, dentre creches,  abrigo,  centros comunitários, além de uma casa de assistência a vítimas de paralisia cerebral. Desenvolve  também quatro programas de educação: o Espaço Cidadão, programa que visa ao resgate da cidadania, direcionado aos pais de famílias de baixa renda; o Hora da Leitura que tem por objetivo incentivar crianças ao hábito de ler; o Pense Alto, um programa que busca oferecer condições de inserção de jovens no mercado de trabalho na área comercial de empresas; e o Quero Trabalhar que transmite conceitos comportamentais para o jovem que busca o primeiro emprego. Também mantém uma parceria com a Brazil Foundation, uma organização norte-americana que apóia projetos sociais no Brasil.
 
É desta forma, com espírito empreendedor, transparência e muita articulação social, que o Instituto da Criança tem feito sua trajetória, trilhando caminhos impossíveis junto àqueles que andam só, avançando em busca de um mundo mais justo.
 
O Instituto da Criança compreende que trabalha com vidas. Se são muitas ou poucas, não importa; o que importa é que são vidas.
 
Obrigado,
 
Pedro Werneck

 

 

Postado por Pedro Werneck | Categoria: Arte | Tags: instituto, da, criança, empreendedorismo, social

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